Marta Jordão Paço, invisual de nascença, é a atleta sensação do Surf Clube de Viana (scv). Após ter-se iniciado no surf há um ano, a sua atitude e os seus resultados catapultaram-na para a Seleção Nacional de Surf Adaptado.

“A minha recordação mais especial é de quando surfei a minha primeira onda a sério, lá atrás, grande…”

Nome: Marta Paço
Idade: 13 anos
Localidade: Viana do Castelo
Escolaridade: Vou frequentar o 8º Ano
Praia local: Cabedelo

Quando e como surgiu o surf na tua vida?
O ano passado. A minha mãe tinha um café que era frequentado pelos instrutores do SCV. Eles conheceram-me e desafiaram-me para experimentar surf. Eu experimentei e, a partir daí, nunca mais larguei. Foi assim que me tornei atleta do clube. 

O que sentes quando praticas surf? 
Quando pratico surf sinto muita liberdade. 

Quais são os desafios que o surf te coloca como invisual? Como os tentas ultrapassar?
O mais difícil para mim é saber qual o momento certo de entrar nas ondas. Tento superar esta dificuldade através do meu treinador, o Tiago. Conforme me vai conhecendo, cada vez melhor, ele consegue indicar-me, através de palavras, o momento certo para eu ir. Quando eu volto para a beira dele, ele recorre a sinais sonoros para me orientar.

Gostas de competir? 
No início, eu ficava muito nervosa em competição. Mas, agora, adoro a sensação de competir.

Quando foi a primeira vez que competiste?
Foi no Campeonato que o SCV organizou em dezembro passado para os seus alunos.

O que sentiste nessa tua estreia?
Fiquei muito nervosa, mas acabei por ter um bom resultado e isso motivou-me.

Chloé Calmon disse, em junho de 2017 de visita ao CAR SURF de Viana, que “surfar com a Marta foi uma das experiências mais marcantes da minha vida”. Como te sentes com esta distinção de uma das melhores longboarders do mundo?
Sinto-me muito feliz, porque eu, naquela altura, ainda estava a começar. Foi também uma grande oportunidade para mim poder surfar com ela, ter esse contacto, saber algumas técnicas dela e para me motivar a continuar.
Como te sentes por teres sido chamada à Seleção Nacional de Surf Adaptado? 
Sinto-me muito orgulhosa. Mas, acho que o mérito não é só meu: é também do Tiago e do SCV.

Ficaste surpreendida?
Sim, eu não estava à espera de ser chamada.

Achas que seria importante haver em Portugal um Campeonato Nacional de Surf Adaptado?
Sim. Mas, neste momento, acho um pouco difícil, por não haver ainda praticantes suficientes.

Tens alguma recordação mais especial desde que praticas surf? 
Nós começamos nas espumas, que são mais fáceis. A minha recordação mais especial é de quando surfei a minha primeira onda a sério, lá atrás, grande…

Recordas-te como esse feito te fez sentir?
Eu nem tinha dois meses de treino e custava-me a acreditar que eu já conseguia ir na prancha durante muito tempo. Custava-me a acreditar ter conseguido isso tão rápido.
 
O SCV tem vindo, desde há algum tempo, a fazer uma aposta no surf adaptado. Achas que o facto de seres atleta do clube e estares a conseguir bons resultados podem ajudar o SCV a ser uma referência nesta área?
Eu acho que sim. Eu espero ter sido o começo e que muitas outras pessoas depois de mim, encorajadas pelo SCV, venham a praticar regularmente surf adaptado.

Tens alguém que seja a tua referência? 
A Chloé Calmon.

Objetivos para 2019? 
Não tenho ainda planos. Talvez treinar um pouco mais, mas vai depender dos meus horários escolares.

Objetivos a longo prazo? 
Pretendo continuar no surf. Formar-me, ir a outros países, fazer intercâmbios…

O que dirias a outras pessoas com incapacidades que estão a começar no surf? 
Para as outras pessoas que também têm de fazer surf adaptado, eu acho que o treino é essencial e que devemos acreditar em nós, mesmo que seja um surf um pouco diferente.